ACERVO
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A Casa de Cultura Heloísa Alberto Torres preserva um acervo valioso que reflete a rica história de Itaboraí, da antropóloga Heloísa Alberto Torres, que dá nome à instituição, e de sua família. Localizada no Centro da cidade de Itaboraí, a CCHAT tem um acervo em constante processo de catalogação e digitalização, na busca por assegurar que esse patrimônio cultural seja acessível para as futuras gerações. O acervo é dividido da seguinte forma:
1. Acervo documental
O acervo documental da Casa de Cultura é composto por imenso volume de cartas, documentos, fotos, artigos e material de pesquisa reunido, especialmente, por Heloísa Alberto Torres em seus longos anos de atividade no campo da Antropologia, na gestão do Museu Nacional e em sua participação em diversas entidades, como o Conselho Nacional de Proteção ao Índio, a FUNAI e o IPHAN. Em contato com diversos intelectuais de todo o mundo, Heloísa mantinha farta correspondência, em que é possível notar seu método de trabalho e seu cuidado com o patrimônio cultural e histórico do Brasil.
O acervo documental encontra-se, atualmente, passando por processo de higienização, catalogação e digitalização no Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), através de termo de cooperação técnica firmado com o IPHAN. Prejudicado por atrasos durante o período da pandemia de Covid-19, o trabalho foi retomado e, de acordo com o último levantamento, está próximo da conclusão.
Além do material referente a Heloísa Alberto Torres, o acervo documental também reúne o material de sua irmã, Maria Alberto Torres, pesquisadora e articulista nos campos da Genealogia e da Teologia, e também documentos do patriarca da família, Alberto de Seixas Martins Torres, itaboraiense que governou o Estado do Rio de Janeiro entre 1897 e 1900 e foi ministro do Supremo Tribunal Federal entre 1901 e 1909, um pensador brasileiro de grande relevância.

2. Acervo bibliográfico
O acervo bibliográfico da Casa de Cultura Heloísa Alberto Torres se constitui de um total de 9.728 itens. Desses, 3.635 são livros e 6.093 são periódicos, anais de congressos, teses, monografias, etc. São exemplares de variados temas – com destaque para as ciências sociais, como a Antroologia, a Sociologia e a Etnologia, campos de estudo de Heloísa Alberto Torres. Há também espaço para livros históricos, que pertenceram ao pai de Heloísa, e até mesmo livros de direito de Manuel Martins Torres, jurista e político que foi vice-governador do Rio de Janeiro, pai de Alberto Torres.
Há livros em diversos idiomas, inclusive em línguas dos povos originários, como o tupi. É possível encontrar obras de grandes nomes da literatura brasileira e internacional, edições com dedicatórias destinadas a Heloísa. Atualmente, o trabalho da Casa de Cultura consiste na classificação desse material e sua catalogação em sistema de gestão de acervos bibliográficos, de forma que seja possível a pesquisa dos exemplares por autor, título, tema, idioma e ano de publicação – o que não tinha sido feito nos 35 anos de funcionamento da Casa de Cultura. Todo material vem recebendo higienização prévia e tem sido acompanhado quanto ao seu estado de conservação.
Parte do acervo havia sido listado e analisado há cerca de quinze anos pelo IPHAN, quando da preparação para a abertura do processo de tombamento da Casa de Cultura. No entanto, o levantamento parcial necessitava de revisão. O processo foi reiniciado no começo de 2022, com equipe da gestão municipal, e centenas de exemplares que não tinham passado sequer por alguma triagem preliminar pelo IPHAN foram incluídos. Até o final de 2024, mais de 1.500 livros já tinham sido catalogados no sistema BibLivre.
3. Acervo museológico
No segundo andar da Casa de Cultura, os visitantes encontram os mais de 100 itens do acervo museológico, todos identificados para oferecer uma experiência enriquecedora. Esses itens incluem móveis históricos que pertenceram à família Alberto Torres e a figuras ilustres de Itaboraí, como Joaquim Manuel de Macedo, consolidando a Casa como um espaço de memória e aprendizado. No acervo museológico da Casa de Cultura Heloísa Alberto Torres, com 104 peças catalogadas pelo IPHAN, destaca-se a coleção de imagens sacras que foi formada por Heloísa e Maria Alberto Torres em suas andanças pelo interior do Estado do Rio de Janeiro e pelo país.
Entre as imagens de especial relevância, um santo Antônio do pau oco e um querubim em madeira, datados do século XVIII, além de uma imagem de Nossa Senhora das Dores, que possui apenas outra idêntica registrada em Portugal. As irmãs Alberto Torres ainda reuniram vários oratórios, móveis utilizados para abrigar as imagens sacras, e peças como os genuflexórios, usados em momentos de oração. Várias peças de uso doméstico, como ferros de passar roupa do século XIX, estão presentes e geram curiosidade nos visitantes.
Vários móveis antigos, entre eles alguns que pertenceram a Alberto Torres no seu período como presidente do Estado do Rio de Janeiro e móveis domésticos que pertenceram à mãe e à avó de Heloísa e Maria Alberto Torres também chamam atenção, pela diversidade de técnicas, como entalhe e marchetaria, e por sua antiguidade. Há, ainda, peças que foram de uso pessoal dos membros da família, quadros como uma tradicional “Santa Ceia”, e muito mais.
O acervo pode conhecido, tanto por quem visita a Casa de Cultura Heloísa Alberto Torres regularmente, quanto por quem solicita conhecer o acervo através das redes sociais, sempre com a presença de um guia patrimonial, que apresenta informações históricas sobre o prédio, sobre Heloísa e família. Em setembro de 2024 foi inaugurada uma nova exposição fixa, que ocupa as paredes do segundo piso do imóvel, com muitas informações e iconografia, o que enriquece a visita orientada.
Desta forma, a CCHAT segue dedicada a preservar e compartilhar a história de Itaboraí, tornando seu acervo acessível para pesquisas, estudos e apreciação pública.





